A menina chega com as malas e três mil perguntas. Cabelos castanhos presos, olhos brilhantes e fome de novidades no coração - embora um tanto de medo, também. E uma coisa quente e feliz que ela chama às vezes de fé, às vezes de confiança, com a qual ela conta para ajudar nos momentos de necessidade.
O garoto estava deitado na cama, mas se levantou com a chegada dela. Ela arrisca um sorriso tímido. Ele até que corresponde.
_Olá!
_Bonjour!
Ops, um francês. Não deve ser tão difícil assim, afinal. As línguas tem a mesma origem, não é?
_Comment ça va?
_Hm, eu, é, eu sou a Ana
_Anna? Oui! Je suis Marcel, suis française, et vous?
_Eu, ah.
Ela engole em seco. Talvez seja difícil sim. Essa última frase ele disse muito rápido.
_Marcel, certo?
_Marcel, oui. Vous êtes américaine? Non, non, votre langue. Je ne sais pas...
Certo, agora parece mesmo desconfortável. Ela suspira, e olha para os próprios pés.
_Voulez que je t'aide?
Ele se aproxima e pega as malas. Coloca as menores empilhadas na cama vaga (no caso, a dela) posiciona a de rodinhas num local de modo a não atrapalhar a passagem. Com um gesto, convida-a a se sentar. Ela aceita. Sinceramente agradecida, sorri. Ele sorri de volta.
Ele se senta ao lado e, tocando o ombro dela, diz:
_Bienvenue.
Isso, ela entende. E também entende, só pelo jeito, que aquele pode ser um grande amigo.
Há coisas que não precisam ser ditas...
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